quarta-feira, fevereiro 09, 2005

apjr-Carnaval

ESCUTA AQUI

Hoje é Carnaval!

ÁLVARO PEREIRA JÚNIOR

Se você está lendo esta coluna, então já perdeu pontos comigo.
É segunda-feira de Carnaval, corra para a rua, para a praia, para o salão, fique na porta de casa esperando algum maluco passar, esqueça o rock inglês, as bandas novas de Montreal, mande o Morrissey chorar as pitangas lá no gelo de Manchester, tranque bem trancados aqueles CDs de grupos indie melancólicos que emocionam você nos outros 360 dias do ano.
Hoje é Carnaval!
Viver no Brasil tem um preço -que é alto, a gente sabe. Mas é a hora do "payback", sábado, domingo, segunda e terça (e alguns outros dias a mais, dependendo da região do Brasil onde você vive), dias em que este nosso país maluco, magicamente, no ritmo ondulado do samba carioca ou no das acrobacias de rua do frevo de Recife, faz sentido.
Góticos, pulem, não tem problema, desta vez vocês podem ser felizes. "Indies", tirem a gosma do cabelinho, botem uma peruca de Elke Maravilha e saiam jogando água nos outros -está liberado. Metaleiros, vocês que gostam de pancada, viajem nas batidas daquele treme-Terra arrasador que abala a avenida. Rapaziada da cena "emo", vocês que são sensíveis, entreguem o coração ao menino ou menina esperto(a) que sabe de cor todas as letras do Chiclete com Banana.
No Carnaval, é zero o teor de hipocrisia para quem, durante esses dias, não precisa fingir, como no restante do ano, que no Brasil se respeitam leis e regras. Vale tudo: Sandra de Sá, Tim Maia, trio elétrico, branquelos que não sabem batucar, quermesse na praça, pirâmides de latinhas na porta da casa alugada na praia, acordar no meio da tarde, enlouquecer no mela-mela, dormir em São Paulo e acordar em Aracati (CE).
Os pecados carnavalescos têm um "deadline" implacável, a Quarta-Feira de Cinzas (de novo, dependendo da região). A vantagem é que a alegria acaba, mas o perdão pode ser eterno -ou durar, pelo menos, até o próximo Carnaval.
Uma vez, um velho professor deu uma lição de filosofia de rua a um amigo que não posso reproduzir aqui, nas páginas deste suplemento tão família. A lição não tinha exatamente a ver com o Carnaval, mas, adaptando, ficaria mais ou menos assim: "Filho, sempre que um Carnaval passar na sua frente, te chamando, pegue. Pegue mesmo, porque um dia você pode ser velho e caído como eu".

PLAY - Foliões de rua
Por todas as razões expostas ao lado, "Escuta Aqui" dá a maior força a quem se concentra, com força total e empenho absoluto, em aproveitar o Carnaval 1.000%.

PAUSE - Foliões de TV
Tudo bem, faltou grana para viajar, não deu para colar ao vivo na folia. Mas, pelo menos, não vá fingir que não é Carnaval! Uma tevezinha ajuda a esquecer a frustração.

EJECT - Não-foliões
Repertório "indie" para abafar o samba? Metal na cabeça nos dias em que Momo é rei? Festa gótica em plena folia? Vá morar em Seattle, então, para ficar no clima!


@ - cby2k@uol.com.br

terça-feira, janeiro 11, 2005

apjr

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Tsunami causa danos ao rock
ALVARO PEREIRA JUNIOR

O maremoto que devastou o sul da Asia e parte da Africa vai ter um efeito
imediato sobre a musica pop: durante muito tempo, ninguem vai ter coragem
de usar a palavra "tsunami" com alguma pretensao poetica.
"Tsunami", como a essas alturas ate os postes sabem, e palavra japonesa,
adotada tambem em outros idiomas, que modernamente significa "onda
gigante". Existe uma banda chamada Tsunami (de noise pop), outra de nome
Tsunami Bombs (punk). Ha ate um grupo de hip hop intitulado Tsunami
Brothers.
A palavra "tsunami" tambem aparece em diversas letras e titulos de cancoes,
a mais conhecida delas "Tsunami", dos Manic Street Preachers. Diz a letra:
"Tsunami tsunami/ came washing over me". Da para traduzir mais ou menos
como: "Tsunami tsunami/ chegou para me encharcar" (desculpe, e horrivel, eu
sei, mas nao consegui pensar em nada melhor...).
Uma busca no site das lojas de musica Tower (towerrecords.com) revela nada
menos que 88 faixas com "tsunami" no titulo. A imagem poetica e sempre de
algo arrebatador e fora de controle. Uma paixao, uma vontade. Mas nada que
lembre a morte e o desconsolo que hoje cobrem o planeta.

Pelo menos uma boa noticia nesse inicio de 2005: o lancamento de um album
maravilhoso, "Secret Migration", da banda americana Mercury Rev. Eles
andavam em silencio ha anos, mas a espera sempre compensa. Continuam
adeptos de uma beleza sinfonica que os deixa em terreno solitario na musica
atual. "Secret Migration" sai oficialmente, la fora, no proximo dia 25. Mas
as faixas ja circulam na web, e o site da banda (www.mercuryrev.com
) entrega algumas amostras. Da para ver, por
exemplo, o video da nova cancao "In a Funny Way", em que animais de pequeno
porte aparecem tocando violino, guitarra e bateria, enquanto os Revs so
observam o belo espetaculo natural.

Sabe o Arcade Fire, a banda sensacao que vem do Canada? Anote na agenda: no
proximo dia 17, eles vao se apresentar no "Morning Becomes Eclectic", da
radio californiana KCRW. As informacoes estao em .
Como ja contei outras vezes, o site desse programa e otimo, com um arquivo
espetacular. Entre outras maravilhas, da para escutar "de gratis" o
especial de melhores de 2004, basicamente com apresentacoes exclusivas de
bandas na radio. Em outro ponto do arquivo, tem ate o Neil Young dando uma
de DJ! Show.
E, falando no programa de melhores de 2004 do "Morning Becomes Eclectic",
um dos grupos destacados se chama... Brazilian Girls! Alguem ja ouviu
falar?

PLAY - "Secret Migration", Mercury Rev
Nao sossegue enquanto nao escutar essa nova gema dos Revs, um banda que nao
tem vergonha de fazer cancoes que sao, simplesmente, bonitas.

PLAY - "Selfless Self", Eastern Lane
Faixa tres de um single de uma nova banda inglesa. Minha expectativa era
zero, mas o som e bacana: moleques que fazem rock pastoral.

PLAY - "Astronaut", Luna
Velhos militantes indie de Nova York ressuscitam em forma total.
"Astronaut" e a faixa cinco. A banda diz que esse e seu ultimo album.
Tomara que nao.

E-mail: cby2k@uol.com.br




segunda-feira, janeiro 03, 2005

apjr

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O que na Califórnia

Ã?LVARO PEREIRA JÃ?NIOR

Naquela de fazer listas dos melhores de 2004, deixei passar algumas coisas legais que vi em Los Angeles, no mês passado. Mas ainda dá tempo de tirar o atraso. Vamos nessa.
 
Não sei se o iPod tem um único inventor, mas, se tiver, é o maior gênio desde Isaac Newton (1642-1727). Muito mais do que um bem de consumo ou um simples "gadget" eletrônico, o iPod é um fenômeno social. Em LA (e, imagino, em outras grandes cidades dos EUA), simplesmente todo mundo tem e usa, do tiozinho executivo fazendo escala no aeroporto ao skatista tatuado de Venice Beach.
E não é por status, como no Brasil (onde os modelos mais baratos custam o equivalente a seis salários mínimos), mas só porque é simples, prático e acessível.
O iPod, para quem aterrissou há pouco de Alfa Centauri, é o tocador de música da Apple. Pequeno, leve, tem capacidade de armazenamento de um computador de mesa. Pegou.
 
Uma rádio bacana de LA, da qual quase nunca falo, é a KCRW, que tem o grande programa "Morning Becomes Eclectic". Todos os músicos e bandas que passam pela cidade dão um pulo lá e fazem apresentações ao vivo, exclusivas. O legal é que os caras têm um arquivo gigante na internet. Algumas atrações recentes: Moby, Dears, Trashcan Sinatras, Jon Spencer Blues Explosion etc. Vai nessa que é beleza, material valioso e grátis: http://kcrw.com/show/mb.
 
Muito esquisito o lançamento da caixa do Nirvana, que reúne material maravilhoso e inédito. Achei que só ia se falar nisso na Califórnia. Mas que nada. Na superloja Amoeba, por exemplo, a caixa estava lá no canto do Nirvana, sem nenhum grande pôster ou destaque especial. Depois passei na Virgin Megastore, a mesma coisa. Na Tower Records do Sunset Strip, também.
Deu tanto trabalho para fazer o projeto acontecer e, agora, eles botam na rua meio assim, sem aquele supergás? Vai entender...
 
Quem está com tudo mesmo em LA é o tiozinho Brian Wilson, que enrolou 37 anos (!!) para lançar o álbum "Smile".
Cartazes e pôsteres em todos os cantos, presença certa nas listas de melhores do ano etc. Wilson, 62, é local de LA.
 
Dos novos nomes da cena angelena, um dos mais falados é Helen Stellar, que, apesar do nome, é um trio de homens, não uma moça em carreira solo. Originalmente de Chicago, mas bombando na cena indie de LA, Helen Stellar é o My Bloody Valentine do século 21. Sério.


E-mail:
cby2k@uol.com.br

CD PLAYER

PLAY - "I'm Naut What I Seem", Helen Stellar

Vai ser dureza encontrar esse EP no Brasil, mas o site dos caras tem bastante coisa pra ouvir: www.helenstellar.com. Escute as amostras e corra atrás!

PLAY - "Blind My Mind", Flunk
Ouvi essa linda canção numa rádio on-line. A cantora do Flunk, banda norueguesa, se chama Anja. Isso explica muita coisa. Escute lá: www.kriztal.com/catalog/enlarge.asp?id=39.

EJECT - Conversa com Moby na KCRW
"Moby, por que você escolheu essa cantora para o seu disco?". "Ela mora perto de casa." "Por que você gravou no estúdio Electric Ladyland?". "Porque é perto de casa."

segunda-feira, dezembro 20, 2004

apjr

escuta aqui

ALVARO PEREIRA JUNIOR

Os quase melhores
"Escuta Aqui" ja deu seus pitacos na lista de melhores do ano do Folhateen
(leia as pags. 6 e 7). Mas nao coube tudo la. E muita coisa bacana rolou em
2004 que tambem merece ser citada.
"We're All Sluts of Trust", Sluts of Trust. Cru, pagao, duas pessoas que
produzem barulho por duzentas, uma dupla que faz os White Stripes parecerem
os Carpenters. Assim a critica internacional qualifica o trabalho dessa
fantastica dupla britanica. Ainda da tempo de ir atras.
"A Grand Don't Come for Free", The Streets. O rapper ingles Mike Skinner
tem o sotaque "working class" mais legal do leste de Londres, e faz poesia
intrincada sobre ficar em casa, brigar com a namorada, ver TV e fumar
maconha. Melhor letra: "Estou ligado que voce e nota oito, nove/ Ou ate
nove e meio, daqui a umas quatro cervejas". Arte.
"Hu Huh Her", PJ Harvey. O nome de disco mais ridiculo do ano esconde
pequenas joias de aflicao urbana e caminhos que nunca se cruzam. Vinde a
nos, PJ (outra vez).
"Wicker Park". Trilha sonora de um filme sobre desencontros amorosos em
meio a ventania de Chicago. Tem Mazzy Star, Snow Patrol, Mogwai, Death Cab
for Cutie...Mais indie, impossivel.
"Let's Bottle Bohemia", The Thrills. Flower power eletrificado para os
bisnetos do verao do amor. Quem falou que nao existe hippie moderno?
"Festa no Ape", Latino. Em meio ao cabecismo esteril que aprisiona a MPB,
uma fresta de descontracao e essa musica do Latino, com versos ja fincados
na historia: "Hoje e festa la no meu ape / Pode aparecer, vai rolar
bundalele". Dez.
The Like. Banda de meninas de Los Angeles que so tem tres EPs lancados.
Veja o site e confirme que a idade e baixa, mas o som e adulto:
www.ilikethelike.com .
woxy.com e indie1031fm.com. As duas radios mais bacanas da paroquia mantem
o planeta inteiro informado sobre as ultimas da musica alternativa. A
woxy.com tem uma historia sensacional: ia fechar, fechou. Ate que ouvintes
cheios da grana investiram na parada e ressuscitaram a estacao, que agora
so transmite pela web.
"Brilho Eterno de uma Mente sem Lembrancas". Nao poderia faltar um filme
nesta lista. Roteiro inteligente, complexo, mas sem truques. Bala. Tem mais
coisa, mas o espaco acabou de novo. See ya in 2005.

E-mail: cby2k@uol.com.br

PLAY - "Who Killed the Zutons", The Zutons
Se tivessem surgido nos anos 60, esses ingleses teriam sido escolhidos para
fazer a trilha sonora da serie "Agente 86". Esse e o vibe.

PAUSE - "No Cities Left", The Dears
Os Dears sao canadenses e, em disco, lembram os Smiths. Ao vivo sao mais
legais. O nome do album e lindo: "Nao Sobrou Nenhuma Cidade".

EJECT - Muse ao vivo
O choroso Muse esta lotando teatros em turne nos EUA. Um filosofo dizia:
"So a mediocridade humana nos da a verdadeira dimensao do infinito".


segunda-feira, novembro 29, 2004

apjr


ESCUTA AQUI

Como saber se uma musica e boa?
ALVARO PEREIRA JUNIOR

Na hora de mandar bala nos criticos de musica, uma acusacao
mancha como chumbo derretido: "Esses caras nao tem
argumentos, so dao sua opiniao pessoal".
Sao leitores revoltados contra decretos opinionistas de quem
escreve sobre musica. "Quem e esse cara para dizer que minha
banda preferida e uma porcaria? Quem ele pensa que e para
elogiar essa outra musiquinha tao horrivel?"
Ja pensei e li muito sobre o assunto. E a conclusao pode nao
agradar aos leitores mais criticos. De fato, em ultima
analise, o que um critico faz e expressar suas opinioes. Pode
ser uma opiniao mais contextualizada, emitida com firmeza a
partir de uma visao historico-cultural. Enfim, pode vir
emoldurada em ouro, mas, no fundo, e so uma opiniao. Opiniao
pessoal.
Mas isso e papo de critico. Entao vamos as fontes, aos
musicos, caras que tem conhecimento tecnico para explicar o
que faz de uma cancao algo otimo ou pessimo.
Nas ultimas semanas, conversei com alguns nomes
especializados em belas cancoes. Primeiro, o grupo escoces
Franz Ferdinand, nos bastidores de um show em Londres.
Depois, a lenda Brian Wilson, fundador dos Beach Boys, um dia
depois de ele tocar em Sao Paulo.
Alex Kapranos, lider do Franz Ferdinand, acha que o grande
lance da banda dele sao as "catchy tunes", as cancoes que
grudam no ouvido. Perguntei como saber se uma melodia e
bacana, que criterios ele usa para compor. A resposta? "Nao
sei. E instintivo. E como quando voce ouve um disco e vai
pulando de faixa em faixa, ate achar uma que agrade".
Mas tudo bem, o jovem Kapranos ainda tem muito a aprender.
Vamos ao mestre das melodiais celestiais, Brian Wilson, 62
anos de lindas cancoes, praia e loucura.
"Mr. Wilson, o sr. contou que a primeira musica que o
fascinou era do grupo Four Freshmen. O que ela tinha de tao
bom?"
"Nao sei, ate hoje nao consegui entender por que fiquei tao
fascinado."
Vamos tentar de novo.
"Mr. Wilson, o que uma cancao precisa ter para conquista-lo?"
"Aquele batida do Phil Spector: tum-tum-tum-tum."
Voltamos ao inicio. Voce pode conhecer musica profundamente.
Pode saber de onde vem cada uma das influencias de um
determinado artista. Pode ate entender de tecnica musical
para analisar melodias e harmonias. Mas, na hora de dizer se
um som e bom ou ruim, nao resta mais nada. So voce e a
cancao.



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Alvaro Pereira Junior, 41, e editor-chefe do "Fantastico" em
Sao Paulo E-mail: cby2k@uol.com.br

CD PLAYER

PLAY - "Parachute Clubbing", Lesbians on Ecstasy
Juro que a banda existe e que essa faixa e um electro-samba.
Sao de Montreal. Sao mesmo lesbicas. Para os incredulos:
http://lezziesonx.com.


PLAY - "69 Police", David Holmes
Voce me autoriza a dar "play" para uma musica de... 2000? E
do genial DJ e produtor David Holmes. Imagine os Chemical
Brothers no auge. E melhor.


PLAY - "She Like Electric", Smoosh
Duas criancas (sao irmas) fazem electropop doce e conquistam
a cena "hip" de Seattle. Elas se chamam Asy, 12, e Chloe, 10.
Isso e lindo: www.smoosh.com


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segunda-feira, novembro 22, 2004

ENC: [alimentos90] apjr


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A melhor cancao gravada em 2004
ALVARO PEREIRA JUNIOR

C omo faltam poucas semanas para o fim de 2004, acho que ja
da para arriscar qual a melhor musica do ano: "LSF (Lost
Souls Forever)", da banda inglesa Kasabian. De um lado,
parece aquele rock viajante do final dos anos 80, tipo Stone
Roses. Por isso, da para dancar na pista. De outro, tem
aquele toque de submundo, na linha do Jesus and Mary Chain.
Serve para escutar em casa.
A letra nao faz sentido. Sinta so: "A polyphonic prostitute,
the motor's on fire/ Messiah for the animals" (Uma prostituta
polifonica, o motor pegou fogo/ Messias dos animais).
"LSF" faz o uso mais desavergonhado de um recurso barato:
vocais com muito eco no refrao. E o refrao... outra viagem,
olha so. "Ahhh, oh come on!/ We got our backs to the wall! /
Ah, Get on! / And watch out! / Sayin", yer gonna kill us
all!" (Ah, vamos nessa/ Estamos encostados no muro / Ah,
entra ai / E cuidado! / Dizem que voces vao matar todo mundo).
Gostaria muito de ver esses moleques ao vivo, para checar se
funcionam tao bem quanto em disco. Saiu no Brasil, pode pegar.
Mensagens de leitores, notas em revistas gringas, reportagens
em jornais americanos. E impressionante como todo mundo esta
falando da banda canadense Arcade Fire, que vem da provincia
de Quebec, um dos lugares menos rock'n'roll do planeta. Eles
gravam pelo selo Merge, que e do povo do Superchunk, banda
amiga de terras brasileiras. O album do Arcade Fire se
chama "Funeral", em alusao a pessoas proximas a banda que
morreram. E voce, tambem esta ligado na novidade?
John Peel, o grande DJ de radio ingles, morto ha algumas
semanas, esta na capa da nova edicao da "Word" . Legal ver
que a "Word" se liga no que acontece no mundo real, ao
contrario da similar "Uncut", que vai dar capa para o Pink
Floyd ou o Neil Young mesmo que o mundo esteja a beira da
extincao.
Sempre bom dar uma olhada nas faixas mais tocadas na
woxy.com, radio querida de "Escuta Aqui". Veja so: 1) "I've
Been Thinking", Handsome Boy Modeling School; 2) "Apple
Tree", Wolfmother; 3) "Sugar", Ladytron; 4) "New Health
Rock", TV On The Radio; 5) "On The Verge", Le Tigre;
6) "Woman", Wolfmother; 7) "Miracle Drug", U2; 8) "Safe in
Mind", UNKLE; 9) "George Eliot", Zykos; 10) "Crumbs for Your
Table", U2.
Pronto, o caminho das pedras esta ai. Agora e so correr
atras.

PLAY - "Kasabian", Kasabian
Inacreditavel uma banda tao jovem com tanta consistencia e
faixas realmente boas. Tem a maior cara de armacao de
produtor, o que deixa tudo mais interessante.

PAUSE - "Slow Hands", Interpol
E a faixa de trabalho do CD mais recente do Interpol. A banda
continua na cola do Joy Division e no estilo "freio de mao
puxado".

EJECT - "Abstract Dragon", Black Rebel Motorcycle Club
Lado b de um single do BRMC, banda bacana. Mas essa musica...
cuidado! Tem 12 minutos, e nada que se pareca com uma letra
ou uma melodia. Nao vale a curiosidade.


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Alvaro Pereira Junior, 41, e editor-chefe do "Fantastico" em
Sao Paulo E-mail: cby2k@uol.com.br



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quinta-feira, novembro 18, 2004

nada surf

17/11/2004 horario: 22:37:06

Urbano - Sao Paulo - 13/11/2004

Foi uma noite memoravel, de celebracao e euforia para a confraria
alternativa paulistana. O trio americano Nada Surf praticamente lotou a
casa de shows Urbano (notoria por dedicar sua programacao quase que
exclusivamente as varias vertentes da black music como o rap e o hip hop, o
que causou certa confusao em frequentadores mais desavisados e que nao
consultaram com antecedencia no site do local qual seria a atracao daquela
noite; com isso, nao foram poucos os que chegaram la em busca de musica
black e se depararam com um bando de garotos e garotas de tenis All Star e
vestindo t-shirts de bandas como Pixies, Nirvana, Oasis, Placebo,
Portishead, Suede etc.) no ultimo sabado, na abertura de sua turne pelo
Brasil - que prossegue esta semana, ate sabado, quando a banda ainda toca
em Curitiba (hoje, quinta-feira), Londrina (amanha, sexta) e Taubate (no
sabado).
Mais de oitocentas pessoas vibraram e pularam durante uma hora e meia com o
som enxuto, conciso, guitarreiro e com as melodias ora mais aceleradas, ora
mais lentas e melancolicas de uma das melhores bandas do rock alternativo
dos EUA na decada de 90. Uma banda que, por uma dessas conjuncoes injustas
e perversas do destino, nao se tornou tao "popular" quanto merecia, igual
ocorreu com Pixies, Sonic Youth ou Nirvana.
Pois o "cult" Nada Surf, surpreendentemente, veio ao Brasil e encantou.
Encantou pela simplicidade e poder de ataque e concisao de sua musica.
Encantou pela sonoridade indie guitar de musicas como "The Plan", "Happy
Kid" ou do seu "hit" "Popular". Conquistou o publico muito jovem que estava
ali, tocando um trecho incidental de "Love Will Tears Us Apart" (classico
eterno do imortal Joy Division) no meio de uma das cancoes. E, sobretudo,
mostrou que as faixas dos otimos albuns "High Low", "Proximity Effect" e
"Let Go" (que acaba de ser lancado no Brasil pelo braco fonografico da
produtora Inker/Squat, que trouxe o grupo ao Brasil) funcionam
maravilhosamente bem ao vivo, sendo executadas apenas pelo trio basico de
guitarra/baixo/bateria.
Todos se emocionaram com "Blizzard Of 77", com "Inside Of Love" (linda,
linda), com "Fruit Fly" e, principalmente, com "Blonde On Blonde", tocada
ja no bis e que encerrou o show deixando a molecada esperando a beira do
palco, como que suplicando para que o Nada Surf voltasse e tocasse mais um
pouco. Mas Matthew Caws, Daniel Lorca e Ira Elliot ja haviam dado o maximo
de si no palco do Urbano. E quem estava la sabia disso, pois todos exibiam
um largo sorriso de contentamento estampado em suas faces. Como diz o
titulo de uma das cancoes da banda, o Nada Surf transformou todos que
estavam ali presentes, ao menos por uma hora e meia, em "apenas garotos
felizes". E como.

Texto: Humberto Finatti
Foto: Marcos Bragatto (tirada na apresentacao da banda no Rio de Janeiro,
no dia 15 de novembro)






quarta-feira, novembro 17, 2004


Daniel Lorca, Nada Surf Posted by Hello

Nada Surf@Urbano Club, SP Posted by Hello

Ira, batera do Nada Surf Posted by Hello

segunda-feira, novembro 15, 2004

ESCUTA AQUI

Cenas de um festival
Ã?LVARO PEREIRA JÃ?NIOR

Uma das principais atrações do ramo jazz do evento -talvez a
principal delas- não gosta do público e pergunta: "Quanto
custa o ingresso para isso aqui? Deve ser barato, porque
nunca vi tanta gente feia e malvestida". Quanta simpatia...




Mani, baixista do Primal Scream, elogia o Brasil na porta do
camarim: "Tudo é perfeito: o clima, as praias, as mulheres,
as...." Não completou.
A divindade PJ Harvey, exausta após o show, sai de mãos
dadas com um tiozinho (dedos entrelaçados e tudo) rumo à van
que a devolveria ao hotel. Andando com dificuldade, ela
carrega no ombro direito uma sacola da melhor loja de discos
do mundo, a Amoeba, da Califórnia.



Figura do rock paulistano cruza com "Escuta Aqui" e
pergunta: "Aonde você vai?". Respondo: "Ao show do Primal
Scream". Ele: "Vou passar na Bebel Gilberto; se estiver
chato, vou pro Primal." Menos de cinco minutos depois, a
figura já está na platéia do PS.



Gary e John, do Libertines, circulam pelos bastidores
enlameados segurando xícaras de... chá.
Falando em Libertines, a platéia vibra loucamente na
primeira música. Na segunda, menos. Na terceira, as pessoas
começam a pensar na vida. Chega um momento em que só
o "núcleo duro" da base de fãs da banda -aqueles que
gostariam de qualquer coisa que rolasse- presta atenção ao
que está acontecendo. Os comentários se repetem: "Não é ruim,
é só chato", "Parece banda brasileira", "As músicas são muito
fracas". A velocidade com que a informação se propaga é,
hoje, um fenômeno tão interessante que, às vezes, a gente
esquece que, na hora de avaliar uma nova banda, o que conta
mesmo é a música. A rapidez com que os Libertines ficaram
famosos é mesmo assustadora, digna de estudo, mas isso não
faz deles um grande grupo. Eles não são nada -são mais ou
menos, uma banda qualquer. Como dizem lá longe: "Try harder
next time, guys".



Mancada em "Escuta Aqui". Na semana passada, escrevi que os
Delays, uma cópia contemporânea dos Cocteau Twins, têm "vocal
feminino". Leitores atentos avisam que aquela voz fininha é,
na verdade, de um moço, Greg Gilbert. OK, corrigido, mas, na
boa, esse Greg faz o �dson Cordeiro parecer o Jamelão.

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�lvaro Pereira Júnior, 41, é editor-chefe do "Fantástico" em
São Paulo E-mail: cby2k@uol.com.br

CD PLAYER

PLAY - Primal Scream ao vivo
Três guitarras, uma delas empunhada por Kevin Shields. � como
juntar três prêmios Nobel para resolver um problema de
física, sendo um deles Richard Feynman.

PLAY - Kraftwerk ao vivo
O mais legal é que eles são 100% anti-sociais. Outros músicos
do festival, loucos para conhecer os alemães, não conseguiram
conversar nem com os roadies do Kraftwerk!

EJECT - Libertines ao vivo
A culpa não é da banda. Jovens cheios de gás. Com músicas tão
fracas, nem a Filarmônica de Viena no auge, regida por Arturo
Toscanini, conseguiria fazer milagre.


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segunda-feira, novembro 08, 2004

TIM 2004

Impressoes gerais TIM 2004:

Kraftwerk: Mais de duas horas de show. Eu so tinha visto o finalzinho na
Coachella. Um classico emendado em outro. A galera urrando! Vale muito pelo
visual e postura "Germanica" dos caras.

Picassos Falsos: Vi a ultima musica. Nao tenho comentarios. Nao entendi o
que aquilo estava fazendo ali.

PJ Harvey: Animal! Os caras que tocam com ela tambem ajudam no peso. As
musicas crescem ao vivo.

Primal Scream: Parede de distorcao e peso vindo das guitarras. Muito mais
violento que nos albuns. Foi historico! Entra no top 10 de melhores shows
que presenciei. Chapei!! Valeu cada centavo gasto!

Brian Wilson: Obrigatorio. Apesar do clima retro, com muitos tiozoes
sentados nas mesinhas. Dali saiu muita coisa usada e abusada ate hoje.

Libertines: podia ser 10, podia ser ruim. Foi phoda! Outro caso onde as
musicas crescem ao vivo. Suadeira geral e clima bacana do Tim Lab.

Aqui o interessante era ver as "personalidades": Pitty, Champignon (CB Jr),
Marcao (CB Jr), MTV (Rafael, Leo Madeira, Edgar, Gastao, Caze), Jornalistas
(Massari, Paulao, Lucio Ribeiro, Thiago Ney)

Mars Volta: 30 segundos e o vocal estava estribuchando no chao. Sai no
comeco do show, eram mais de 2 da manha. Valia ver inteiro. sonoridade
parecida com o At the Drive in, porem um pouco mais psicodelica. As vezes o
cara parecia James Brown dancando. Impossivel ser mais intenso. Quero
conferir o Album.

Logo posto algumas fotos da parada toda!


quarta-feira, novembro 03, 2004

RE: apjr

 
-----Original Message-----
From: Guilherme L Tosi [mailto:guilherme.tosi@uol.com.br]
Sent: terça-feira, 2 de novembro de 2004 12:36
To: Alimentos90 (alimentos90@yahoogroups.com)
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Subject: apjr

The Kills é matador

Ã?LVARO PEREIRA JÃ?NIOR

"Desculpe, perdi meu microfone." � a única frase trocada entre cantora e platéia, em meia hora de show. Minutos antes, pela enésima vez, ela havia derrubado o microfone. O equipamento nem caiu tão longe assim.
Se ela olhasse para o chão, à esquerda, o encontraria. Mas sabe-se lá em qual galáxia está a cantora. Para ela, a peça mergulhou em alguma fenda inacessível do espaço-tempo. Pediu desculpas ao público usando o microfone de seu parceiro.
São só eles dois e a platéia. A cantora é alta, morena, esconde o rosto o tempo todo atrás de longos cabelos negros. Já ele canta e toca guitarra. Ou melhor, não canta, urra. E não toca guitarra do jeito que a gente conhece. As notas saem do instrumento como espasmos sem rumo. Ele é baixo e usa o cabelo em tigela. Parece Mark E. Smith, da lendária banda The Fall, 30 anos mais novo.
Estamos em um show da dupla anglo-americana The Kills, que simplificou ainda mais a fórmula dos White Stripes. Se os WS têm só um homem, Jack, na guitarra, e uma mocinha, Meg, na bateria, os Kills precisam de ainda menos.
Ele, que usa o sensacional nome artístico Hotel, faz guitarra e vocais. Ela, VV, praticamente só canta. Toca guitarra em poucas canções. Máquinas substituem baixo e bateria.
O guitarrista e a cantora são, tudo indica, marido e mulher. Há uma brutal tensão sexual entre os dois. Os microfones (pelo menos enquanto um não desaparece) ficam de frente um para o outro. Hotel e VV cantam se olhando nos olhos, de lado para a platéia.
A música é blues/rock reduzida ao mínimo. Na última canção, VV se joga no chão, separa levemente as pernas, está entregue aos golpes de guitarra de Hotel, que toca ajoelhado no espaço onde as pernas se abriram.
Depois da última nota, ele se levanta bruscamente. Ela demora um pouco, agarra Hotel pela parte da frente das calças, como se quisesse mais. Acabou.
As 4.000 pessoas presentes à Brixton Academy, em Londres, lançam aplausos protocolares. O público, majoritariamente adolescente, estava lá para ver a banda de encerramento. Mas o que veio depois é uma história para as próximas semanas.
Por hoje, ficamos com The Kills. E pode acreditar: basta.



�lvaro Pereira Júnior, 41, é editor-chefe do "Fantástico" em São Paulo
E-mail: cby2k@uol.com.br

CD PLAYER

PLAY - The Kills ao vivo

"Escuta Aqui" já tinha elogiado os discos. Ao vivo é ainda melhor. Para os buscadores internéticos: o show foi em Londres, dia 28 de outubro passado. Procure já.

PLAY - Jandek ao vivo
Parem as máquinas! O ermitão maluco Jandek apareceu e tocou ao vivo, em Glasgow, (Escócia)! Não sei se foi bom. Mas ele ter aparecido em público já é histórico, incrível.

PLAY - Shows no Brasil
Nesta semana tem PJ Harvey, Primal Scream, Libertines e Kraftwerk. São Paulo e Rio - um pouco menos - vão ser Londres por alguns dias. Aproveite, não existe nada como rock ao vivo.

quinta-feira, outubro 21, 2004

Hey Boy!


Irmaos!

Era minha primeira vez!
E logo em um estadio????!!!!!
Interessante chegar e saber que nao existia mais ingressos para pista. E
que ela estava tomada por gente!
Como e possivel uma dupla de amigos lotarem um estadio?
Nao ha banda. o som nao e o que costumavamos ouvir 10, 15 anos atras. Mas o
fato e que o estadio estava cheio. Ao menos o gramado. 30, 40 mil pessoas?

Chemical Brothers. Isso tudo ai escrito acima se explica quando o som
comeca. Ate mesmo nos shows de rock mais animados nao se ve tanta gente se
divertindo junta! Tao animada!
O som ajudou. Estava legal. Nem muito alto nem muito baixo. E
principalmente com qualidade.

A parafernalia eletronica produz um resultado surpreendente. No setlist
musica da coletanea lancada este ano.

A palavra que me vem a mente durante o show (seia esse o termo?) foi
tecnologia. Dizem que a tecnologia e perigosa por nos tornar mais
sucetiveis ao abismo causado pela frustracao. Eu entendo que ela nos
liberta! Imagine tudo isso que esta representado nesta geracao que veio ao
pacaembu ha 10 anos atras....ficaria sem sentido! Viva entao a geracao
digital. A geracao internet! Fantastico!

Hey Boy! Hey Girl!!!! the Bothers gonna work it out!!!



Star Guitar Posted by Hello

segunda-feira, setembro 20, 2004


Los Tres Amigos (em Maringá) Posted by Hello

Mais uma...... Posted by Hello

Lucio, recordar é viver.....e saudade não tem idade!!!! Posted by Hello

quinta-feira, setembro 16, 2004

apjr

ESCUTA AQUI

Ninguém merece
Ã?LVARO PEREIRA JÃ?NIOR

Breve lista de fatos e coisas musicais que ninguém merece.
1) Um festival bacana chegar ao Brasil cobrando R$ 80 de
entrada (pouco menos de um terço do salário mínimo). Seria o
mesmo que um festival nos EUA custar US$ 500 por dia (mais ou
menos um terço do salário mínimo de lá, que fica por volta de
US$ 1.500).
2) Discos legais serem "lançados" no Brasil, com os jornais
noticiando, mas, na prática, loja nenhuma ter os
tais "lançamentos".
3) Músicos de bandas de rock veteranas lançarem discos solo
de MPB (e fazerem finalmente o tipo de som que gostam de
verdade).
4) Arnaldo Baptista, dos Mutantes, ficar 20 anos sem gravar -
isso no mesmo país que deu ao mundo, de presente, os
Tribalistas.
5) No Brasil, electro ser tratado como gênero musical de
vanguarda.
6) Uma canção de sucesso -da ala "séria" da MPB- trazer os
seguintes versos: "Futebol sem bola/ Piupiu sem Frajola/ Sou
eu assim sem você".
7) Prêmios musicais em que as mesmas pessoas ganham todo ano,
trocam elogios e admitem mais um ou outro artista jovem, bem-
comportado e reverente, na panelinha dos que mandam na
cultura popular brasileira.
8) Poder contar nos dedos as estações de rádio bacanas do
país (em qualquer gênero musical).
9) Críticas musicais que você lê, lê e não consegue entender
(e sai com a impressão de que o cara não gostou do disco, mas
não está a fim de arrumar confusão e por isso soltou um texto
ininteligível de propósito).
10) Alguém lamentar que axé, pagode e sertanejo vilipendiaram
a MPB de qualidade e que "bom mesmo era antigamente".
11) Metal melódico.
12) A existência da Björk.
13) A existência da cantora dos Distillers, Brody Dalle.
14) O fato de a PJ Harvey não aparecer para tomar chope todo
dia na padaria aqui ao lado de casa.
15) Um clone de Los Hermanos em cada barzinho.
16) Dois clones de Charlie Brown Jr. em cada esquina.
17) Três clones de Racionais em cada quebrada.


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PLAY - "Por um Fio",
Drauzio Varella
Se você quer aprender a observar e a escrever sobre o que vê
e sente, leia esse livro, com atenção, uma, duas vezes. Não é
difícil. � sobre a morte. Boa viagem. Não se esqueça de
voltar.

PLAY - Prêmios para o
Franz Ferdinand
Já escrevi muita bobagem na vida, mas nenhuma maior do que
ter torcido o nariz para o primeiro álbum do Franz Ferdinand.
Agora, esses escoceses estão papando muitos prêmios. São
inovadores, merecem.

EJECT - "Baiana da Gema", Simone
Esse "eject" vai muito além da análise música por música. �
algo maior, é o conceito em si: esse é um disco de Simone com
Ivan Lins. Ninguém merece


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quinta-feira, setembro 09, 2004

apjr

ESCUTA AQUI

Uma rádio dos sonhos
Ã?LVARO PEREIRA JÃ?NIOR

Trocando uma idéia com "Escuta Aqui", uma lendária figura do
rock do Brasil fala de dezenas de assuntos, o principal deles
a lastimável situação da música nas rádios brasileiras.
Não quero apresentar soluções prontas (se as tivesse,
compraria uma rádio e ganharia rios de dinheiro), mas vale a
pena citar pontos da conversa. Afinal, como seria uma rádio
superbacana?
Como todo mundo sabe, 99,99% do que toca no seu rádio, hoje,
é jabá. Ou seja: as gravadoras pagam para que as estações
bombem as faixas "de trabalho" o dia inteiro. Durante
séculos, fingia-se que o jabá não existia. Todo mundo
ganhava, ninguém assumia. Hoje, fala-se mais abertamente,
embora não haja lei sobre o assunto.
Pois então: na rádio superbacana, pode ou não rolar jabá?
Será que, para provar que está longe dos trambiques, essa
emissora deveria chutar o balde, tocando só o que desse na
telha dos programadores?
"Escuta Aqui" e o roqueiro nacional estão de acordo: não dá
para transformar a programação em algo aleatório, que não
repete músicas só para provar independência.
� preciso ter alguma sistematização, algo a que o ouvinte se
acostume. Exemplo dessa linha "independente, porém com rumo"
é a sempre elogiada Indie 103, de Los Angeles
(www.indie1031fm.com). A linha-mestra é a seguinte: tocar só
as melhores faixas de cada disco. E que discos são esses?
Basicamente, os dos nomes "indie" que estão bem no momento,
mais clássicos alternativos dos anos 80 e 90.
A Indie 103 não torra a paciência apresentando uma mesmo
música 80 vezes. Mas também não embarca na piração total de
vasculhar o arquivo e tocar, no horário nobre, a faixa 15 de
um grupo de rock progressivo siciliano dos anos 70.
Mas, e o jabá? O que fazer com ele no Brasil? Buscar a pureza
total, ficando longe disso, ou aceitar a bagunça completa de
hoje?
De novo, será que não seria possível um meio termo? Alguma
regulamentação clara que explicitasse números e porcentagens,
que não deixasse dúvidas sobre quanto e para quem é preciso
pagar para que uma música toque? Ou será melhor manter a
hipocrisia atual, situação de fato que não encontra respaldo
no papel?



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PLAY - "Coração Envenenado", Dee Dee Ramone
Sonhos, sucesso, dinheiro, drogas, paranóia, morte. A linha
do tempo, tantas vezes repetida na história do rock, aparece
com clareza brutal nessa autobiografia de Dee Dee (1952-
2002), baixista dos Ramones. Leia e tente dormir.

PLAY - "Y Control", Yeah Yeah Yeahs
Aos poucos, descobrem-se pérolas em meio ao irregular
álbum "Fever to Tell" (2203), dos Yeah Yeahs Yeahs. Nessa "Y
Control", a vocalista Karen O mostra seu principal dote:
imitar o timbre e as inflexões da überdeusa Chrissie Hynde.

PAUSE - "Girls", Prodigy
Essa é a primeira música do álbum novo do Prodigy que toca em
rádios espertas mundo afora. Bacana, mas não há como não
pensar que o planeta talvez não precise mais do Prodigy,
grande banda que hoje soa cada vez mais datada.


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